A médica termina o post da semana e para antes de publicar. Pode colocar o preço da consulta? Pode mostrar um antes e depois? Pode escrever que o tratamento "resolve de vez"? Na dúvida, ela apaga o preço e publica o resto. Apagou a parte permitida e manteve a que pede mais cuidado.
A dúvida faz sentido. A regra mudou em março de 2024, e quem aprendeu pela anterior pode estar seguindo uma proibição que já caiu.
Qual regra vale hoje
A publicidade médica é regida pela Resolução CFM 2.336/2023. Ela foi publicada em setembro de 2023, está em vigor desde 11 de março de 2024 e substituiu a Resolução 1.974/2011. Na checagem que fizemos em outubro de 2026, não encontramos resolução nova nem revogação.
Junto com a resolução existe o Manual de Publicidade Médica do CFM. Em setembro de 2026, num encontro do CFM, o relator da resolução, Emmanuel Fortes, afirmou que o manual deve ser seguido pelos médicos e pelos órgãos que julgam os casos. Ou seja: além da resolução, vale ler o manual. O CFM mantém um site oficial sobre o tema, em publicidademedica.cfm.org.br.
O que o médico pode divulgar
Preço da consulta. Pode. A médica do começo apagou justamente o que era permitido.
Campanhas promocionais. Também são permitidas.
Há um limite, e ele vem da própria norma: o CFM permite divulgar preço e fazer campanha, mas veda transformar isso em comércio, o que se chama de mercantilização da medicina. Em cima disso, a iD acrescenta uma cautela: nas peças que produzimos, o preço nunca entra como chamariz principal.
Antes e depois, em caráter educativo. A condição é apresentar junto as indicações, as evoluções satisfatórias, as insatisfatórias e as possíveis complicações. Antes e depois só com o resultado bonito não é o que a resolução libera.
Imagem de paciente, sem identificação, sem manipulação ou melhoria da imagem e com autorização do paciente.
Depoimento de paciente, compartilhado de forma sóbria, sem adjetivos de superioridade e sem induzir promessa de resultado.
O que não pode
Sensacionalismo. Comércio dentro do consultório. Divulgação de equipamento ou medicamento sem registro na Anvisa.
E há a fronteira que mais aparece no texto do dia a dia: a promessa. A resolução não aceita depoimento que induza promessa de resultado e veda o sensacionalismo. "Resolve de vez" é o tipo de frase que encosta nas duas regras ao mesmo tempo.
A norma veda prometer resultado. Na iD, todo desfecho clínico é escrito no condicional, com expressões como "pode ajudar" e "dependendo do caso".
Por que isso é assunto de venda, e não só de ética
Em saúde, o paciente compra confiança antes de comprar a consulta. O post que exagera pode até chamar atenção, mas expõe o médico a processo ético e o perfil a uma denúncia. O post que informa o preço, mostra o processo com honestidade e explica para quem o tratamento é indicado constrói a confiança que leva o paciente a marcar.
Há um ganho prático também. Quando o médico sabe com clareza o que pode, ele para de apagar o que é permitido. Se a pergunta sobre o preço costuma chegar pelo WhatsApp do consultório, informar o valor no post, sem fazer dele o centro da peça, economiza conversa e filtra quem já sabe que cabe no orçamento.
Como trabalhamos
Toda peça de cliente médico que a iD produz, seja post, anúncio, página ou mensagem pronta de WhatsApp, passa por um guia interno de conferência das regras, construído sobre a resolução, com revisão antes de ir ao ar. Quando uma dúvida não tem resposta clara no texto, a orientação é consultar o Conselho Regional de Medicina do seu estado antes de publicar.
Um exercício para hoje: abra os 5 últimos posts do perfil e procure 3 coisas. Frase que promete resultado. Antes e depois sem as complicações possíveis. Depoimento com "o melhor". Cada uma que aparecer é um ajuste para hoje.