No dia 20 de agosto o Google anunciou três recursos novos no Google Ads. Nenhum deles serve para criar anúncio. Todos servem para medir. E o Google avisou dos três recursos menos de duas semanas antes de começar a mexer sozinho nas configurações das contas. Quando a plataforma apresenta o instrumento de medição antes de mexer, vale olhar o antes e o depois.

Sendo direto sobre quem este texto atende: ele é para quem já tem campanha rodando no Google. Se a sua empresa vive de indicação e nunca abriu conta de anúncios, o miolo aqui não é o seu problema desta semana. Mas a regra que sustenta o post vale para qualquer negócio, inclusive para quem só tem caderno de agendamento. Ela está no fim, e você pode pular direto para lá.

O que o Google já decidiu mexer

Em 3 de agosto o Google parou de aceitar duas configurações novas.

A primeira é a correspondência ampla em nível de campanha, a regra que autoriza seu anúncio a aparecer para buscas parecidas com a palavra que você escolheu. Quem digita "clínica de fisioterapia" pode ver o anúncio de quem comprou "quiropraxia".

A segunda são os recursos criados automaticamente: o Google escreve títulos e descrições sozinho, tirando texto do seu site. Você não revisa antes. O Google publica.

Quem já tinha essas duas coisas ligadas não precisou mexer em nada. O que já está ativo nas contas vai ser migrado automaticamente entre 1º e 30 de setembro de 2026. Os anúncios dinâmicos de pesquisa, aqueles em que o Google monta o anúncio a partir das páginas do site, só entram nessa fila em fevereiro de 2027.

Uma ressalva que muita gente vai pular: isso não atinge toda conta. A migração de setembro alcança as campanhas que têm correspondência ampla em nível de campanha ou recursos criados automaticamente ligados. Se a sua conta foi montada só com as palavras e expressões que você mesmo escolheu, sem deixar o Google escrever texto, ela fica de fora desta primeira fase.

Os três recursos anunciados em 20 de agosto

O primeiro é um teste comparativo que roda em várias campanhas ao mesmo tempo, e é o que tem data marcada: começa em setembro. Várias campanhas da rede de pesquisa, que é onde ficam os anúncios que aparecem quando alguém procura algo no Google, entram em um único experimento, e dá para ver o efeito no conjunto quando o investimento sobe. Campanha por campanha, esse efeito não aparece.

O segundo recurso vale para quem já usa o AI Max, o pacote em que o Google automatiza boa parte da campanha de busca. Nessas contas, o teste passa a rodar com os controles de marca e de localização ligados, as travas que impedem seu anúncio de aparecer para o nome do concorrente ou para quem está fora da sua área de atendimento. Antes era preciso soltar essas travas, e o teste media um cenário irreal.

O terceiro é o Performance Planner, que simula o que aconteceria com o resultado se você mexesse no valor investido. A simulação passa a considerar campanhas que já estão no ar, com a sugestão aplicada em um clique.

O problema não é a automação

O problema é entrar no dia 1º sem ter anotado como estava antes: quanto custava cada contato de cliente, quantos deles viraram venda e quanto isso devolveu em dinheiro nas semanas anteriores à migração.

Quem não fizer isso vai passar setembro inteiro na conversa mais cara que existe em tráfego pago: "achei que caiu", "acho que era melhor antes". Sem número anterior, qualquer explicação serve, inclusive a errada.

Sendo honesto sobre o calendário: o teste em várias campanhas começa em setembro e não está disponível hoje. Montar o teste agora é montar a metade que depende de você, que é a linha de base: salvar como o resultado está hoje, para o experimento de setembro ter contra o que comparar. O retrato do antes só existe agora.

Como trabalhamos isso aqui

Quando uma conta entra na iD, a primeira coisa que fazemos não é mexer em campanha. É fechar o retrato do que existe. Sem isso, qualquer resultado nosso vira opinião contra opinião no terceiro mês. Nesta janela de setembro, o retrato é o desempenho das campanhas que entram na migração, salvo antes do dia 1º e guardado fora do Google Ads.

Para quem anuncia, a tarefa desta semana cabe em uma tarde. Abra sua conta do Google Ads, filtre as campanhas da rede de pesquisa e veja nas configurações se há correspondência ampla em nível de campanha ou recursos criados automaticamente ligados. Exporte o relatório de desempenho dessas campanhas com corte no último dia de agosto e salve o arquivo fora da plataforma. É esse arquivo que vai responder, em outubro, se a migração ajudou ou atrapalhou.

E para quem não tem conta de anúncios, a regra de fundo é a mesma: antes de mudar qualquer coisa no negócio, anote como estava. A regra vale para mexer no preço ou começar a postar todo dia. Anote quantos clientes novos chegaram no último mês e de onde veio cada um. Uma folha do caderno de agendamento dá conta. Sem esse número anterior, em outubro toda explicação serve, inclusive a errada.

Se preferir fazer esse levantamento acompanhado, chame a gente pelo contato do site e marque um diagnóstico gratuito. A conversa começa na mesma pergunta, para quem anuncia e para quem só tem caderno: de onde veio cada cliente novo e qual número precisa estar salvo antes de mudar qualquer coisa.