Primeiro o aviso, para ninguém sair daqui com a ideia errada: a mudança descrita neste texto está acontecendo nos Estados Unidos e não vale para quem anuncia no Brasil hoje. O cronograma do Google, segundo o Search Engine Land, só coloca as contas de fora dos Estados Unidos em 2027. Não existe campanha nova para criar nem produto novo para contratar aqui por causa dessa mudança.

Publicamos assim mesmo porque o prazo foi anunciado com antecedência. Chegar em 2027 com o negócio organizado é diferente de descobrir a mudança no dia em que ela entra no ar. E as duas ações que fecham este texto valem aqui, hoje, para quem anuncia e para quem nunca anunciou.

Existe um detalhe nessa notícia que interessa mais ao dono de negócio daqui do que a mudança em si.

Antes de encerrar o painel separado, o Google ampliou por lá os tipos de negócio que podem usar esse formato. Entraram restaurantes, com recorte por tipo de cozinha: americano, chinês, italiano, pizza, sushi, churrascaria e vegano. Entrou automotivo, com ar-condicionado automotivo, oficina de freios, troca de óleo, loja de pneus e transmissão. E entraram serviços de beleza, com oferta ampliada.

Um formato criado para chaveiro, encanador e eletricista está sendo esticado para quem tem restaurante, oficina e salão. É o tipo de comércio que abre a porta todo dia na sua rua.

O que torna esse formato diferente é a cobrança. Nos Anúncios de Serviços Locais, o anunciante paga por contato recebido, não por clique. Traduzindo para o caixa: a conta não corre quando alguém passa o dedo na tela, corre quando a pessoa liga, manda mensagem ou pede orçamento.

Para quem vive de indicação, essa lógica é familiar. Ninguém cobra por quem só ouviu falar do seu trabalho; a indicação aparece na agenda quando o cliente chega. Pagar por contato recebido é o parente mais próximo disso que existe em mídia paga: a cobrança acontece quando o cliente aparece.

O Google chama esse contato de lead válido, o contato que cabe nos critérios de cobrança do produto. E aqui vai a ressalva: lead válido é critério de cobrança, não atestado de qualidade. O contato pode ser válido para a fatura e ainda assim nunca virar cliente. Transformar contato em cliente continua sendo trabalho de quem atende.

Agora a notícia em si, publicada pelo Search Engine Land em 24 de agosto de 2026, em reportagem assinada por Anu Adegbola. Os Anúncios de Serviços Locais estão sendo absorvidos pelo Google Ads. Hoje, nos Estados Unidos, quem usa esse formato cuida dele em uma tela separada. Essa tela deixa de existir, e o anunciante passa a cuidar de tudo no mesmo ambiente das outras campanhas, onde o Google automatiza boa parte das decisões.

A troca acontece por etapas. Agosto de 2026 vale para anunciantes selecionados de dois grupos, todos nos Estados Unidos: serviços domiciliares, que atendem na casa do cliente, e serviços de estabelecimento, que atendem no próprio ponto. O fim de 2026 abre para grupos mais amplos, ainda por lá. E 2027 é quando entram as contas de fora dos Estados Unidos e as categorias restantes. É esse item que coloca o Brasil na fila.

O que não muda, segundo a mesma reportagem: a cobrança segue por contato recebido; as campanhas seguem sem palavra-chave, ou seja, o anunciante não escolhe os termos digitados na busca, quem decide a hora de mostrar é o Google; e os anúncios continuam aparecendo só onde já apareciam, na Busca e no Google Maps.

Há também um recurso novo, os anúncios pré-selo. A empresa que passa por uma verificação preliminar já pode receber contatos enquanto ainda completa o processo do selo Google Verificado, aquele símbolo que aparece ao lado do nome da empresa no anúncio. Na prática, o recurso encurta a espera entre o cadastro e o primeiro telefone tocando.

Na iD, o que fazemos com cliente de serviço local não muda por causa dessa notícia. Trabalhamos com registro de origem, que é mais simples do que o nome sugere: todo contato que chega em uma clínica, oficina ou restaurante recebe uma marcação de por onde veio, e acompanhamos quantos viraram orçamento e quantos fecharam.

Qualquer painel do Google, novo ou antigo, mostra quantos contatos entraram. Nenhum deles mostra quanto do faturamento veio de cada campanha. Essa ponte se constrói dentro da empresa, na anotação de quem atende o telefone e o WhatsApp.

Quando o formato chegar aqui, os contatos que ele gerar vão precisar ser comparados com os canais que a empresa já usa, indicação incluída. Quem anota a origem faz essa comparação logo de saída. Quem não anota decide por impressão, que é onde a maior parte do dinheiro de marketing se perde.

A ação desta semana não exige conta de anúncios, verba nem contratar ninguém. São duas.

A primeira: abra o Perfil da Empresa no Google, o cadastro gratuito que faz o negócio aparecer no Maps e na busca, e confira se nome, endereço, telefone, horário e categoria estão iguais aos do site e das suas redes. Divergência ali atrapalha qualquer anúncio local, hoje e em 2027.

A segunda: comece a anotar a origem de cada contato que entra. Pode ser no caderno da recepção, na agenda ou numa lista no celular. Uma linha por contato, com quem atendeu, por onde chegou (indicação, Instagram, Google, placa na rua, cliente antigo), se virou orçamento e se fechou.

Se essa anotação não parar em pé no meio da correria do dia a dia, ou se a lista ficar pronta e você não souber o que decidir a partir dela, é disso que trata o diagnóstico gratuito da iD: organizar o registro antes de decidir onde colocar dinheiro. Quando 2027 chegar, é essa lista que separa quem avalia o formato novo com número na mão de quem avalia no achismo.