Segunda-feira de manhã, a recepção avisa que duas pessoas remarcaram para "depois da eleição". No mesmo dia, um fornecedor comenta que o movimento caiu em todo lugar. O dono pensa em cortar o anúncio até o fim do mês. É uma decisão de dinheiro tomada com base em duas remarcações e um comentário de corredor.

Este texto não é sobre em quem votar. É sobre como decidir o que fazer com o negócio numa semana em que o noticiário fala mais alto do que a agenda.

O que se sabe de fato

O primeiro turno foi em 4 de outubro. No domingo, 25 de outubro, a eleição para presidente vai ao segundo turno. Na Paraíba, onde a iD opera, a eleição para presidente é a única no segundo turno: a de governador foi decidida no primeiro.

O outro dado confiável é o humor de quem compra. A Fundação Getulio Vargas mede todo mês a confiança do consumidor. Em agosto, segundo a FGV, o índice ficou em 84,7 pontos, o menor nível desde novembro de 2022. Em setembro, ficou em 84,2, abaixo de agosto. O número de outubro só sai no dia 26, um dia depois do segundo turno.

Ou seja: a confiança do consumidor já estava baixa antes da reta final da eleição. E ninguém tem hoje um número confiável sobre o efeito desta semana nas vendas do seu setor, na sua cidade. Nem nós: não medimos o efeito da eleição sobre o custo de anunciar nas contas que atendemos, e por isso não vamos inventar um.

O número que importa é o da sua empresa

Se não existe dado de fora que responda, a resposta está dentro. Antes de cortar ou aumentar qualquer coisa, faça uma comparação que cabe numa folha:

  • Separe as 4 semanas de setembro e as semanas de outubro até agora.
  • Em cada semana, anote três números: quantas pessoas procuraram a empresa, quantas marcaram ou compraram e quanto entrou no caixa.
  • Se você anuncia, anote também quanto gastou em cada semana.

Agora leia a folha junto com o que os clientes disseram. Se a procura caiu e a proporção de quem compra se manteve, o cliente pode estar adiando a busca, e cortar o anúncio agora tira a sua empresa da vista dele justamente quando ele voltar a procurar. Se a procura se manteve e as vendas caíram, olhe o motivo de cada venda que não aconteceu. Quando o cliente avisa que vai esperar a eleição, como nas duas remarcações da segunda-feira, é adiamento declarado, e vale anotar o nome para retomar o contato depois do dia 25. Quando ele some sem dar motivo ou recusa pelo preço, a perda provavelmente não vem da eleição: olhe o atendimento e a oferta. Se os três números ficaram parecidos com os de setembro, a eleição está fazendo barulho no noticiário, não no seu caixa.

O que a empresa não pode fazer

Existe também um risco legal. A Lei das Eleições proíbe propaganda eleitoral em sites de empresas, mesmo que seja de graça. O Tribunal Superior Eleitoral estende essa proibição aos perfis de empresa nas redes sociais, e já aplicou multa por propaganda feita num perfil comercial no Facebook, em 2020. Decisões recentes do TSE estenderam o entendimento a empresário individual e a MEI.

Na prática: o perfil e o site do negócio não são lugar de propaganda eleitoral, nem de graça, e isso vale também para empresário individual e MEI. O perfil pessoal segue regras próprias; se houver dúvida sobre um post específico, fale com o jurídico antes de publicar, e não depois.

Depois do dia 25

Na segunda-feira, 26 de outubro, a FGV divulga a confiança do consumidor de outubro. Vale olhar esse número ao lado da sua folha de semanas. Se o índice e a procura pela sua empresa se moverem juntos, você aprende algo sobre o seu cliente. Se não se moverem, aprende algo ainda mais útil: que o seu negócio responde a outras coisas, e que vale descobrir quais.

E novembro chega com a mesma pergunta de sempre, eleição ou não: quanto investir para trazer cliente e de onde ele vem. Essa resposta não muda com o resultado das urnas.

Antes de mexer na verba

Decisão de verba não deveria sair do noticiário. Antes de cortar ou aumentar, compare a semana com o que é normal para a sua empresa, olhando as semanas anteriores. Em semana fora do comum, o cuidado é dobrado para não confundir o barulho de 7 dias com uma tendência. Com os clientes da iD, o relatório semanal traz o que os números mostraram e o que recomendamos para os próximos dias.